a mesa de luz

light gazing, ışığa bakmak

Friday, September 22, 2017

na mesa

não há luz sem escuridão. não há escuridão sem luz.

Thursday, September 21, 2017

na próxima vida vou

atingir finalmente uma felicidade total e sem mácula. é que não deixo nada por pagar nesta vida.

Monday, September 18, 2017

ver

passo todos os dias por uma rua que nunca vi. pergunto-me quantas ruas deixei por ver na minha vida.

Tuesday, September 5, 2017

for B.

"Sabia que a Web Summit 2017 vai ter dois robots como oradores?

Chamam-se Sophia e Han e podem manter conversas como se fossem pessoas, graças à sua inteligência artificial, desenvolvida pela Hanson Robotics, uma empresa de Hong Kong que se dedica à investigação e desenvolvimento de tecnologia de inteligência artificial em humanoides. Estes dois oradores especiais participaram, no passado mês de julho, na Rise, um evento tecnológico promovido pela equipa da Web Summit em Hong Kong, com intervenções sobre o futuro da humanidade."

na newsletter do iapmei.

Monday, September 4, 2017

a ouvir a Canavilhas

porque cá moro, mas revolta-me o estômago.

pivotal monent

porque o meu papel é esse no grande esquema das coisas: desviar destinos. eu sou um conjunto de poucos pontos, a few pivotal moments.

Sunday, September 3, 2017

A Festa, teatro imersivo

não jogo, ou seja, não sou gamer, mas como qualquer mãe estou familiarizada com o hábito e o entusiasmo. esta actividade que nos passa ao lado, nós com raízes analógicas, imaginamos com alguma dificuldade e também curiosidade como será o futuro entregue à nova geração. (que para além de gamers conhecem best sellers e não os clássicos, um estado das coisas promovido pelos próprios programas de português). já divago.
A Festa é o teatro em modo gamer, imersível e 3D e, ao contrário dos jogos que não me conquistam, rendi-me às possibilidades deste tipo de espectáculo. a ideia não é nova nem sequer recente. tenho na memória, para sempre, os descobrimentos como os vi na Comuna há quase 40 anos num espectáculo que deve ter sido fundamental para o meu gosto pela bela arte performativa. a história do teatro participativo é longa, basta pensar no actos dos palhaços no circo, essa forma ancestral de representação. A Festa, teatro imersível, não é participativo pois o público não participa mas apenas assiste. a diferença consiste no espaço de representação que se alarga do palco para um palácio inteiro, neste caso o maravilhoso edifício em Belas, o palácio . que jóia, que jóias temos escondidas em lugares inesperados.
o incrível alargamento do espaço para um corredor central e cerca de 10 divisões da casa tém impacto na estrutura da acção, que tem de ser repetida para garantir que os espectadores, a navegar a história conforme dinâmicas de grupo interessantes, e de acordo com as pistas manipuladora dos actores - gritos, estrondos, tiros. aliás, o espectáculo é sexualmente interessante pois coloca quem assiste num lugar de voyeur, com a tensão física consequente, em particular na cena que se desenrola por entre os lençóis de um estendal (o meu querido Giornata Particolare). o texto é praticamente inexistente. a penumbra, o mistério, a violência física que sempre me maravilha no teatro, tudo contribui para me lembrar o Blue Velvet ou qualquer espaço de David Lynch. o som não aborrece nem interfere, tal como a luz, mas contribui. os vários cenários são muito bonitos e sempre, diria eu, cinematográficos, com imagens icónicas. será interessante comparar este tipo de teatro, imersivo, e a sua história recente, em relação ao cinema. gostava de ver mais e mais longe. as possibilidades fazem a imaginação voar.
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acrescentarei detalhes mais tarde e espero corrigir erros de escrita num telefone de parcas polegadas.

Saturday, September 2, 2017

ah marujo

de subir rios, linhas, estradas na monotonia, ultrapassar oceanos. esta noite com calçado confortável, assim sou aconselhada, para um prazer algo solitário mas, desta vez, sem a opção de parar para uma pausa quem sabe atribulada quem sabe já decidida no caminho de regresso.
no inicio de setembro, o mês mais dourado do calendário, estou exausta de agosto, do calor, das famílias. preciso de regressar à cidade.


Friday, September 1, 2017

bain marie

um blogue em banho-maria pelas mais variadas razões. de distração, de pausa, de trabalho, de tumulto, de revoluções internas, prostrações, entusiasmos, planos e ausência,  de jogo, reflexão, ataque, fuga, recolhimento, paixões e desconfianças, confianças, reviravoltas, momentos cruciais, silêncio e gritaria. a vida continua.

Monday, August 28, 2017

the elephant

"I teach comparative literature at Columbia University. At the start of every semester, if I plan to discuss one of my own novels in class, I always tell my new students an old story about writing and teaching.

It’s a very popular (but possibly apocryphal) anecdote about Vladimir Nabokov. In 1957, he was proposed for an appointment at Harvard University as professor of Russian literature. Not everyone welcomed the idea. “If Russian literature is to be taught by Russian greats,” the Harvard linguist Roman Jacobson reportedly told his colleagues, “then we must get elephants to teach at the faculty of zoology.”

My students laugh, and then I turn to the matter at hand. “This semester, I will stand before you as an elephant, but I will also try my best to be a professor.”

Elephants don’t know what it is that makes them elephants. They just are. Similarly, novelists do not consciously dwell on what they do when they write their novels. The things they mean to describe and express when they write, the territory they wish to cover, may be very different from those elements that readers and students focus on. The author of a novel is not always the best placed to interpret it, and eventually others may become more familiar with the text than he is.

Most of my bright students at Columbia are fully aware of these paradoxes, so I don’t have to spend too much time on the subject, though I do later occasionally warn them: “I am going to speak now not in my capacity as a professor, but as the elephant in the classroom.”

I may explain, for example, that one of the reasons I wrote “My Name Is Red” is that until the age of 22, I wanted to be a painter, but failed.

“With this novel,” I say, “I tried to construct a narrative inspired by the contrast between what a painter envisions, and the way his hand can sometimes move of its own accord.”

Then the professor steps in: “That contrast is similar to the difference between being a novelist and being a professor teaching the art of the novel.” Which leads to the question of what John Berger, himself a novelist, terms “ways of seeing,” and then to the East-West dichotomy, Persian miniatures, Renaissance art and history.

Or about another of my novels, “Snow,” I may say: “As the elephant in the classroom, I can tell you that everything that happens to the protagonist Ka over the first 200 pages is almost exactly what I experienced myself when I went to the Turkish city of Kars, in 1999, where the book is set. I wanted to write a political novel that would contain an entire nation, just like Graham Greene’s novels set in poor and troubled third-world countries.”

Though I try to resist the temptation, I have been inclined in class — even more so than my students — to see my own “novels of a nation” as introductions to the cultural norms and particular afflictions of Turkey, the Middle East and the entire Muslim world. Because I am interested in “theory” and the field called cultural studies, I sometimes end up “theorizing” about my own work.

“In this passage, our author is aiming to explore the history of the streets and shops of Istanbul.”

Or: “In Islamic societies, where men and women rarely get to interact unless they are already married, boys and girls will develop an alternative language with its own special grammar of silent glances, frowns, moments of deliberate immobility and pointed questions: ‘Would you like another meatball?’ ”

But how much emphasis should I place on Turkish history, the transformation of Istanbul, or Islam and secularism, so that the logic of my novels will be more accessible to my students? After a lifetime spent battling against political pressures on literature, devoting classroom time to social context or political ironies instead of literary nuances makes me feel like a traitor. Whether I am teaching my own novels, or “Anna Karenina,” “Mrs. Dalloway” and “The Red and the Black,” I sometimes feel that no matter what I do, I am actually betraying true literature — a feeling that stays with me like a kind of heartache.

Ten years of teaching experience have shown me that the best way to avoid these anxieties and contradictions is to steer away from theory and social context and re-discover the intricacies of the text itself with my students — be it my own work or someone else’s. So at the start of every class, I devote some time to poring over the pages I’ve assigned for that day.

“Let’s analyze what’s been happening here,” I’ll say. “Why do you think Ka is arranging the meeting at the Hotel Asia?” “What key events from this section should we discuss?” “What do you think is the dominant mood in these pages?”

Like most educated upper-middle-class Turkish men, I have an authoritarian streak in me, and even though I enjoy teaching through dialogue, I can’t always resist just telling students the “facts” about my novels. And yet I also marvel at a student reminding me of the oddities of a novel I’d written years ago, and wonder if I’d even meant any of it.

Whenever I set theory and social context aside in favor of a “close reading” of novels, seeking out their subtleties and internal symmetries, I discover just how much I have forgotten about my own books. One day, just before class was due to start, a student saw me frantically skimming through “Snow” outside the classroom. “That’s what happens if you don’t bother to do your reading!” he joked.

He had that teasing, mischievous expression I sometimes see on students when they spot little things in my novels that I hadn’t even realized I was doing, or when they don’t agree with what I say is the logic of a novel and point out its contradictions and ambiguities. But after years of giving lectures on my own work, my students have taught me to think this comforting thought whenever I catch that expression on their faces: “Maybe they’d rather have an elephant in the classroom than a professor.”



no LA Times.

Sunday, August 27, 2017

Gatsby

“So we drove on toward death through the cooling twilight.”

não sou nada turismofóbica

aliás, adoro a existência de turismo e de turistas. os tipos de esquerda e que querem acolher refugiados mas expulsar os turistas é que, desculpem-me, não estão a ver bem a coisa. dê-se a volta que se der, há sempre uns mais iguais do que outros, n'est-ce pas?

Tuesday, August 22, 2017

Sunday, August 20, 2017

A.'s back

nine books and one of them is Cevdet Bey, the one I refused to read for being a first work, consequently when the voice is not yet fully developed. but I recognize it, it's all there already.

kiddos rule

- I just witnessed perfectness.
- Who, me?

(my boys, right there)


Friday, August 18, 2017

kick and run

the tradition lives on.

Pera

foi bem recebido o livro, com reviews em vários jornais importantes americanos e ingleses. retenho este artigo do Hurriyet na sua versão inglesa porque gostei de o ler.

"the last of the grand old establishments that defined Istanbul’s era of jazz and exile."
seria o nosso Palácio no Estoril.

Beyoğlu Pera Palas 1930.

curiosidade: Pera Palas asansör, o primeiro elevador da Turquia.


Thursday, August 17, 2017

ou talvez o

incêndio (des)controlado seja a ideia de 'possibilidade' na sua mais nua perversidade. rima cruzada.
ou talvez existam vários diálogos que caminham em paralelo sem que se adivinhem.
porque não quero que se toquem essas linhas, apenas eu caminho obliquamente, como a chuva do poeta.

assim falou

o chão, o planeta, o solo. enquanto aqui estava revolvendo impressões, ideias de mim, conclusões, senti-a a falar de dentro, uma espécie de terramoto pessoal, só meu e para mim. qual a maior revolução? a de expansão e conquista desenfreada ou a sua quase oposta, a de mergulho em si, de fechar todos os portões e regressar a um plano anterior, como se isso fosse possível. não é. menti-lhe a ela, ferida de morte, moribunda e cambaleante num sentido muito figurado, e ela devolveu-me uma incredibilidade natural. ouviu-me temporariamente mas sabe que não é assim. este o terramoto, o único, as cem carruagens a passar debaixo da minha cama, o desejo e a impossibilidade.

simboloAviso de Sismo no Continente 17-08-2017 07:44
2017-08-17 07:44:59
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera informa que no dia 17-08-2017 pelas 07:44 (hora local) foi registado nas estações da Rede Símica do Continente, um sismo de magnitude 4.3 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 4 km a Este-Nordeste de Sobral de Monte Agraço.

Até à  elaboração deste comunicado não foi recebida nenhuma informação confirmando que este sismo tenha sido sentido.

Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.




A localização do epicentro de um sismo é um processo físico e matemático complexo que depende do conjunto de dados, dos algoritmos e dos modelos de propagação das ondas sísmicas. Agências diferentes podem produzir resultados ligeiramente diferentes. Do mesmo modo, as determinações preliminares são habitualmente corrigidas posteriormente, pela integração de mais informação. Em todos os casos acompanhe sempre as indicações dos serviços de proteção civil. Toda e qualquer utilização do conteúdo deste comunicado deverá sempre fazer referência à fonte.

Localização em mapaVer mais »»

enamoramentos

depois de meses fora de mim ou fora de contexto, li Enamoramentos de Javier Marías de rajada. trezentas e tal páginas em dois dias, e julgo que fiquei viciada, um pouco como aqui há alguns anos me sucedeu com Vila-Matas. mas se Vila-Matas é um elegante 'discursador', Marías é complexo, enredado, sofisticado (ah!). as citações não são listas de erudição, mas todo o livro se baseia nelas, não como citações, mas como pedaços que exemplificam sentimentos humanos universais, exemplificam e condensam, como se aquela frase fosse 'a frase', aquela que melhor faz viver aquele sentimento ou impressão, a mãe de todas as frases e a última, a melhor. como tal, a história roda em torno de meia dúzia de ideias que se encaixam e se largam como um jogo de tabuleiro.

o fio da narração tem vários planos ou motivações que se sobrepõem: a história do tipo policial (e verdade seja dita, a mentira é uma actividade muito interessante e digna de estudo ou análise), o jogo de ideias/citações; e o discorrer sobre as várias formas de amor e de enamoramento, o nome do livro. amor e morte, desde Freud será impossível separar este par de amantes.

e mais irei dizendo um pouco à frente.

à frente:

"Mas às vezes basta que alguém, em exclusivo e com todas as suas forças, se esforce por ser um pouco determinado ou por alcançar uma meta para que acabe por sê-lo ou por alcançá-la, apesar de não ter nascido para isso ou de Deus não o ter chamado por esse caminho, com antigamente se dizia, e onde mais isso salta à vista é nas conquistas e nos confrontos: há quem está em má posição na sua inimizade ou no seu ódio a outrem, quem carece de poder e de meios para o eliminar e ao lado dele se assemelha a uma lebre que tenta atacar um leão, e apesar disso esse alguém sairá vitorioso à força de tenacidade e falta de escrúpulos e estratagemas e fúria e concentração, por virtude de não ter outro objectivo na vida além de prejudicar o seu inimigo, exauri-lo e miná-lo e depois acabar com ele, ai de quem arranja um inimigo com estas características por muito débil e necessitado que pareça ser; se uma pessoa não tem vontade nem tempo para lhe dedicar a mesma paixão e responder com a mesma intensidade acabará por sucumbir diante dele, porque não é possível combater distraído numa guerra, seja ela declarada ou soterrada ou oculta, nem menosprezar o adversário desajeitado, ainda que o julguemos inócuo e sem capacidade para nos prejudicar, nem sequer para nos arranhar: na realidade qualquer um nos pode aniquilar, do mesmo modo que qualquer um nos pode conquistar, e essa é a nossa fragilidade essencial. Se alguém decidir destruir-nos é muito difícil evitar essa destruição, a não ser que abandonemos tudo o resto e nos centremos apenas nessa luta. Mas o primeiro requisito é saber que essa luta existe, e nem sempre o sabemos, as que oferecem maior garantia de êxito são as dissimuladas e as silenciosas e as traiçoeiras, como as guerras não declaradas ou aquelas em que o atacante é invisível ou está disfarçado de aliado ou de neutral" (...)



Tuesday, August 15, 2017

'Regresso a casa'

o amor é que acaba comigo. ou afinal talvez não. o que acaba é o desamor, ou o a-amor.
quanto ao filme, só vendo, n'est-ce pas?

Monday, August 14, 2017

pente

o impensável acontece. embarco sem carregador de portátil, viajo sem carregador de telefone e, pico do picos, acordo sem escova de cabelo o que me obriga a um euro na toiletry dispenser machine (um nome ao nível de combine harvester do poema, 'High Windows' já agora). ou me ando a tornar demasiado sedentária, ou me ando a tornar demasiado confiante ou me ando a tornar demasiado distraída. seja qual for a hipótese, o melhor é corrigir isto depressa.


Saturday, August 12, 2017

ena! 2: Clash de Mohamed Diab, Eshtebak

quando se passa tanto tempo longe da sala escura, qualquer filme que venha parece extraordinário. essa sensação já a tive algumas vezes e estou com receio de ser este o caso. que excelente filme, uma epopeia em espaço fechado, um microcosmo a representar a humanidade.

aqui no guardian.

outro filme claustrofóbico que vi foi, julgo, Lebanon, todo filmado dentro de um tanque. mas julgo que essa ideia tem uma longa história. ainda no outro dia me lembrei do Deserto dos Tártaros, para além de todos os filmes de trincheiras.

esta história não é de guerra, mas de paz. é a história de todos os conflitos através do microcosmo controlado do veículo-prisão que é dentro mas de onde se vê ´fora' de um ponto de vista privilegiado. as mulheres, como habitual, são poucas mas absolutamente excepcionais e concentram nas aparentes frágeis personagens a força de vários cataclismos. já divago.

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a história: durante os 3 dias de tomada do poder à Irmandade Islâmica no Egipto, subida ao poder pelo voto, viveram-se tempos difíceis de manifestações, violência, Clashes entre a polícia e os militares e a Irmandade Islâmica, um país dividido ao meio. o filme relata um desses dias dentro de um veículo de detenção. as primeiras pessoas a serem detidas são dois jornalistas. segue-se um grupo de pessoas que se estavam a manifestar a favor do exército. depois um grupo de pessoas da Irmandade Islâmica e finalmente um polícia. perante o perigo, perante o que se passa lá fora (e o carro assume-se como um local privilegiado de onde se assiste mas também se vive este dia extraordinário), uma estranha coisa acontece: o grupo une-se nas suas enormes diferenças e o que era ódio torna-se empatia. que enorme missão para um filme político e de acção, uma missão conseguida e pela qual me apetece agradecer. recomendo vivamente.


 
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