a mesa de luz

light gazing, ışığa bakmak

Monday, November 13, 2017

aos foforinhos que aqui vêm para tentar saber da minha vida privada:

esqueçam lá isso: não vai acontecer. ok?
beijokas.

e por falar em música

sim, do fado, no recente da Aldina Duarte (´Quando se ama loucamente´) que decidi ouvir para iluminar o alcatrão da estrada, à noite, fiquei-me pelo ´Senhora dos meus passos´. será ela, eu não.





Kaurismäki, the other side of hope

Kaurismäki vive em Portugal há décadas e fala português mas nunca tive a sorte de o ver, embora apareça de vez em quando. vejo-o no cinema e é um dos realizadores a que mais gosto de voltar. as cores, o ambiente que ele quer Chaplin mas que lhe sai Lynch, um Lynch empático (agora que tenho andado com essa palavra na boca). à noite bloqueio mas o dia está de feição para um chá de laranja com casca, mel, pau de canela. a banda sonora de The Other Side of Hope é algo que gostaria de receber como prenda. existe uma list no Spotify que andei a ouvir uns dias (sempre a lembrar-me do J.) mas queria mesmo era aquela banda sonora. o décor do restaurante é hilariante, a paleta de cores mata-me quinze vezes por segundo, eu que pensava que a Finlândia vivia de branco brilhante e azul. a chegada do navio ao porto de Helsínquia tirou-me logo da cadeira do Ideal para o Tramp Steamer e para esse livro com que sonho há tanto, as histórias do Maqroll.
quanto à comédia-tragédia e a vida de um refugiado que submerge de um mar de carvão - essa imagem que tem sido associada a várias outras na história do cinema, fez-me lembrar o Charlie Sheen a emergir pintado do rio do apocalipse. de repente existe, é um humano, e está onde não devia estar. os dois actores, os dois lados da esperança (qual é o outro lado? este ou aquele?) são o oposto de uma situação e no entanto comunicam, ligam-se e são capazes de rir e fazer rir. procuramos sempre alguém que se escapa nas circunstâncias. mas alguns, sem ter pedido nada, foram expulsos e essa violência, a negação da identidade, muda tudo.






Monday, November 6, 2017

ah, a killer sentence

"According to my father, the greatest happiness in life was to marry the girl you'd spent your youth reading books with in the passionate pursuit of a shared ideal. I'd heard him tell my mother as much while describing someone else's happiness." Pamuk em The Red-Haired Woman.

'how far I was from Istanbul'

'I would think to myself how peculiar it was to be here to witness this world, how strange it was to be alive.", Pamuk em Red-Haired Woman.

Saturday, November 4, 2017

back in love

"For a moment, the whole world seemed to take on the silent quality of memory." sim, sim, Pamuk na The Red-Haired Woman que esperei quase dois anos para ler. assim que o tempo o permita (ou a gestão dele), voltarei ao turco. ando morta de saudades.

Tuesday, October 31, 2017

dia de bruxas e bruxedos:

parece que tenho uma marca.

Monday, October 30, 2017

digamos que a minha fase kumbaiá terminou

e obrigada ao M. e ao M. e aos vários homens na minha vida que me tratam com gentileza mas que também são implacáveis. uma nota cultural? a exposição de Escher no final de Novembro no museu de arte popular. mostra que o museu anda de cabeça perdida mas que interessa, é o Escher.

Sunday, October 29, 2017

terra queimada

de mulher em chamas para terra queimada. as coisas que já vi hoje, dentro e fora. hoje sou um Giacometti, um pau de fósforo ardido, no fio essencial.


despojamento

é tudo o que preciso. quantas vezes já morri e quantas tenho ainda para morrer?

Thursday, October 26, 2017

disse e gostei

desse ´flash iluminado entre a memória e a esperança´. ora aí está algo que me poderia bem definir. se eu fosse definível.

reconciliação

por várias razões adormeci e acordei a ouvir o último de Tito Paris, o maior responsável foi o Herman de ontem à noite enquanto passava a ferro (sim M., a ferro) e zappava pelas tvs. entre outras razões.
e fiquei-me na sua versão do Fado Triste. a música voltou. enquanto reconciliação é a palavra gravada a fogo em vários locais do pensamento.

Fado Triste

Vai ó sol poente,
vai e não voltes
sem trazer no primeiro raio
notícias de quem se foi.

Numa madrugada amarga e triste,
um navio de proa em riste
levou tudo o que eu guardei

Na caixa escondida dos afectos,
no lembrar dos objectos
que enfeitavam o meu quarto
Tudo perde a cor a forma o cheiro,
ficaram só coisas esquecidas da importância que tiveram.

Volto sempre ao rio
às sextas feiras p'ra lembrar
dias descuidados noites à toa.
Éspero que o navio sempre queira
trazer de volta o sussurro dos teus passos numa rua de Lisboa.





Tuesday, October 10, 2017

visão angular

os poucos mas excelentes velhos leitores deste espaço, que me acompanham há muito, sabem que nunca estive tão ausente. a duas actividades e a um despertar juntou-se agora um novo projecto. a angular. comecei com o empurrão de um amigo, a quem devo uma nova visão, e continuei como quem avança às cegas. sucederam-se nomes e propósitos, caminhos e caras. no final do vulcão ficaram quase ninguém e um regresso. vai finalmente nascer a Angular, um meio de passear a fazer algo, seja o que for o algo, e uma oportunidade para regressar à realização de espectáculos (tantos anos depois da Terceira Sonata). no lugar-comum dos relacionamentos manhosos está a frase 'o caminho faz-se caminhando', a frase feita aplica-se aqui em pleno. o que será, será. quem me quiser acompanhar é bem vindo. pretendo, sob o chapéu de um mesmo tema, fazer encontrar expressões diferentes de uma mesma ideia. ou de como uma ideia viajou para diferentes locais geográficos e do imaginário. o primeiro encontro será, por nada mais do que uma coincidência, dedicado à dança. os passeios seguirão embalados pelo mesmo ponto de vista. encontro. diferentes perspectivas. diálogo. viagem.
não deixem de me seguir agora, quem sabe se fora da tela mas na vida. não fui embora mas tenho passeado alguma coisa.

www.facebook.com/angulartours

 Dance Away Night



Sunday, October 1, 2017

a votos

quando os cidadãos de um mesmo país não conseguem comunicar para o bem comum, quando os cidadãos de um país não podem ter opinião, quando os cidadãos de um país não querem cumprir a própria Constituição, esse é um dia trágico e que os envergonha a todos. neste mesmo dia, eu mulher livre de 51 anos, dirijo-me a uma escola onde não vi um polícia mas famílias, crianças, múltiplas fisionomias, num dia tranquilo de outono, e voto livremente em quem me apetece. por mais cansada, mimada, abusada que esteja a democracia, esta rapariga antiga deve ser mimada ainda, levada ao colo  e preservada como o tesouro que ainda é.

Friday, September 22, 2017

na mesa

não há luz sem escuridão. não há escuridão sem luz.

Thursday, September 21, 2017

na próxima vida vou

atingir finalmente uma felicidade total e sem mácula. é que não deixo nada por pagar nesta vida.

Monday, September 18, 2017

ver

passo todos os dias por uma rua que nunca vi. pergunto-me quantas ruas deixei por ver na minha vida.

Tuesday, September 5, 2017

for B.

"Sabia que a Web Summit 2017 vai ter dois robots como oradores?

Chamam-se Sophia e Han e podem manter conversas como se fossem pessoas, graças à sua inteligência artificial, desenvolvida pela Hanson Robotics, uma empresa de Hong Kong que se dedica à investigação e desenvolvimento de tecnologia de inteligência artificial em humanoides. Estes dois oradores especiais participaram, no passado mês de julho, na Rise, um evento tecnológico promovido pela equipa da Web Summit em Hong Kong, com intervenções sobre o futuro da humanidade."

na newsletter do iapmei.

Monday, September 4, 2017

a ouvir a Canavilhas

porque cá moro, mas revolta-me o estômago.

pivotal monent

porque o meu papel é esse no grande esquema das coisas: desviar destinos. eu sou um conjunto de poucos pontos, a few pivotal moments.

Sunday, September 3, 2017

A Festa, teatro imersivo

não jogo, ou seja, não sou gamer, mas como qualquer mãe estou familiarizada com o hábito e o entusiasmo. esta actividade que nos passa ao lado, nós com raízes analógicas, imaginamos com alguma dificuldade e também curiosidade como será o futuro entregue à nova geração. (que para além de gamers conhecem best sellers e não os clássicos, um estado das coisas promovido pelos próprios programas de português). já divago.
A Festa é o teatro em modo gamer, imersível e 3D e, ao contrário dos jogos que não me conquistam, rendi-me às possibilidades deste tipo de espectáculo. a ideia não é nova nem sequer recente. tenho na memória, para sempre, os descobrimentos como os vi na Comuna há quase 40 anos num espectáculo que deve ter sido fundamental para o meu gosto pela bela arte performativa. a história do teatro participativo é longa, basta pensar no actos dos palhaços no circo, essa forma ancestral de representação. A Festa, teatro imersível, não é participativo pois o público não participa mas apenas assiste. a diferença consiste no espaço de representação que se alarga do palco para um palácio inteiro, neste caso o maravilhoso edifício em Belas, o palácio . que jóia, que jóias temos escondidas em lugares inesperados.
o incrível alargamento do espaço para um corredor central e cerca de 10 divisões da casa tém impacto na estrutura da acção, que tem de ser repetida para garantir que os espectadores, a navegar a história conforme dinâmicas de grupo interessantes, e de acordo com as pistas manipuladora dos actores - gritos, estrondos, tiros. aliás, o espectáculo é sexualmente interessante pois coloca quem assiste num lugar de voyeur, com a tensão física consequente, em particular na cena que se desenrola por entre os lençóis de um estendal (o meu querido Giornata Particolare). o texto é praticamente inexistente. a penumbra, o mistério, a violência física que sempre me maravilha no teatro, tudo contribui para me lembrar o Blue Velvet ou qualquer espaço de David Lynch. o som não aborrece nem interfere, tal como a luz, mas contribui. os vários cenários são muito bonitos e sempre, diria eu, cinematográficos, com imagens icónicas. será interessante comparar este tipo de teatro, imersivo, e a sua história recente, em relação ao cinema. gostava de ver mais e mais longe. as possibilidades fazem a imaginação voar.
- -


acrescentarei detalhes mais tarde e espero corrigir erros de escrita num telefone de parcas polegadas.

Saturday, September 2, 2017

ah marujo

de subir rios, linhas, estradas na monotonia, ultrapassar oceanos. esta noite com calçado confortável, assim sou aconselhada, para um prazer algo solitário mas, desta vez, sem a opção de parar para uma pausa quem sabe atribulada quem sabe já decidida no caminho de regresso.
no inicio de setembro, o mês mais dourado do calendário, estou exausta de agosto, do calor, das famílias. preciso de regressar à cidade.


Friday, September 1, 2017

bain marie

um blogue em banho-maria pelas mais variadas razões. de distração, de pausa, de trabalho, de tumulto, de revoluções internas, prostrações, entusiasmos, planos e ausência,  de jogo, reflexão, ataque, fuga, recolhimento, paixões e desconfianças, confianças, reviravoltas, momentos cruciais, silêncio e gritaria. a vida continua.

Monday, August 28, 2017

the elephant

"I teach comparative literature at Columbia University. At the start of every semester, if I plan to discuss one of my own novels in class, I always tell my new students an old story about writing and teaching.

It’s a very popular (but possibly apocryphal) anecdote about Vladimir Nabokov. In 1957, he was proposed for an appointment at Harvard University as professor of Russian literature. Not everyone welcomed the idea. “If Russian literature is to be taught by Russian greats,” the Harvard linguist Roman Jacobson reportedly told his colleagues, “then we must get elephants to teach at the faculty of zoology.”

My students laugh, and then I turn to the matter at hand. “This semester, I will stand before you as an elephant, but I will also try my best to be a professor.”

Elephants don’t know what it is that makes them elephants. They just are. Similarly, novelists do not consciously dwell on what they do when they write their novels. The things they mean to describe and express when they write, the territory they wish to cover, may be very different from those elements that readers and students focus on. The author of a novel is not always the best placed to interpret it, and eventually others may become more familiar with the text than he is.

Most of my bright students at Columbia are fully aware of these paradoxes, so I don’t have to spend too much time on the subject, though I do later occasionally warn them: “I am going to speak now not in my capacity as a professor, but as the elephant in the classroom.”

I may explain, for example, that one of the reasons I wrote “My Name Is Red” is that until the age of 22, I wanted to be a painter, but failed.

“With this novel,” I say, “I tried to construct a narrative inspired by the contrast between what a painter envisions, and the way his hand can sometimes move of its own accord.”

Then the professor steps in: “That contrast is similar to the difference between being a novelist and being a professor teaching the art of the novel.” Which leads to the question of what John Berger, himself a novelist, terms “ways of seeing,” and then to the East-West dichotomy, Persian miniatures, Renaissance art and history.

Or about another of my novels, “Snow,” I may say: “As the elephant in the classroom, I can tell you that everything that happens to the protagonist Ka over the first 200 pages is almost exactly what I experienced myself when I went to the Turkish city of Kars, in 1999, where the book is set. I wanted to write a political novel that would contain an entire nation, just like Graham Greene’s novels set in poor and troubled third-world countries.”

Though I try to resist the temptation, I have been inclined in class — even more so than my students — to see my own “novels of a nation” as introductions to the cultural norms and particular afflictions of Turkey, the Middle East and the entire Muslim world. Because I am interested in “theory” and the field called cultural studies, I sometimes end up “theorizing” about my own work.

“In this passage, our author is aiming to explore the history of the streets and shops of Istanbul.”

Or: “In Islamic societies, where men and women rarely get to interact unless they are already married, boys and girls will develop an alternative language with its own special grammar of silent glances, frowns, moments of deliberate immobility and pointed questions: ‘Would you like another meatball?’ ”

But how much emphasis should I place on Turkish history, the transformation of Istanbul, or Islam and secularism, so that the logic of my novels will be more accessible to my students? After a lifetime spent battling against political pressures on literature, devoting classroom time to social context or political ironies instead of literary nuances makes me feel like a traitor. Whether I am teaching my own novels, or “Anna Karenina,” “Mrs. Dalloway” and “The Red and the Black,” I sometimes feel that no matter what I do, I am actually betraying true literature — a feeling that stays with me like a kind of heartache.

Ten years of teaching experience have shown me that the best way to avoid these anxieties and contradictions is to steer away from theory and social context and re-discover the intricacies of the text itself with my students — be it my own work or someone else’s. So at the start of every class, I devote some time to poring over the pages I’ve assigned for that day.

“Let’s analyze what’s been happening here,” I’ll say. “Why do you think Ka is arranging the meeting at the Hotel Asia?” “What key events from this section should we discuss?” “What do you think is the dominant mood in these pages?”

Like most educated upper-middle-class Turkish men, I have an authoritarian streak in me, and even though I enjoy teaching through dialogue, I can’t always resist just telling students the “facts” about my novels. And yet I also marvel at a student reminding me of the oddities of a novel I’d written years ago, and wonder if I’d even meant any of it.

Whenever I set theory and social context aside in favor of a “close reading” of novels, seeking out their subtleties and internal symmetries, I discover just how much I have forgotten about my own books. One day, just before class was due to start, a student saw me frantically skimming through “Snow” outside the classroom. “That’s what happens if you don’t bother to do your reading!” he joked.

He had that teasing, mischievous expression I sometimes see on students when they spot little things in my novels that I hadn’t even realized I was doing, or when they don’t agree with what I say is the logic of a novel and point out its contradictions and ambiguities. But after years of giving lectures on my own work, my students have taught me to think this comforting thought whenever I catch that expression on their faces: “Maybe they’d rather have an elephant in the classroom than a professor.”



no LA Times.

 
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